Ação vende botijão de gás por R$ 50 em Salvador

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Os reajustes seguidos do preço do gás de cozinha têm dificultado a vida de famílias baianas, que, na capital, podem chegar a desembolsar R$ 130 pelo botijão de gás. Nesta sexta-feira (25), moradores do bairro da Federação, em Salvador, participaram de uma ação do Sindicato dos Petroleiros da Bahia (Sindipetro-BA), que vendeu 100 botijões por R$50. O ato, além de um protesto contra a alta no preço, serviu como auxílio para os moradores da região.

Jeane Santos do Carmo, 35, foi uma das pessoas que se cadastraram para comprar o gás de cozinha pelo valor simbólico. A estudante de Serviço Social conta que a vida da família ficou muito difícil por causa da crise econômica que assola o país e a falta de postos de trabalho: “Eu fiquei desempregada e a situação está muito difícil e, com a alta que teve no botijão, ficou ainda pior." Ela explica que a ação do preço justo é importante para que as pessoas consigam cozinhar.

“Hoje em dia tem muitas famílias que não estão cozinhando de maneira adequada, ao utilizar lenha. E, com isso, colocando em risco as suas crianças, utilizando o álcool. Eu não cheguei a ter que fazer isso, mas muitos tiveram que entrar nessa situação”, diz.

No loca, o coordenador geral do Sindipetro-BA, Jairo Batista, aproveitou a oportunidade para criticar os reajustes feitos tanto pela Petrobras, como pela Acelen, empresa que administra a Refinaria de Mataripe. Segundo Jairo, a política de preços adotadas pelas duas empresas, a Política de Paridade de Importação (PPI), que atrela os preços dos derivados de petróleo no Brasil ao dólar, prejudica as classes menos favorecidas.

“O barril de petróleo está em torno de US$ 100 hoje e ainda pode aumentar com o agravamento da crise entre Rússia e Ucrânia. O fato de vincularem o preço do botijão de gás, da dona de casa, ao dólar e ao barril de petróleo cotado na bolsa de valores, tem reflexos nefastos como o que estamos vivenciando”, afirma o coordenador. Nos três primeiros meses deste ano, a Refinaria de Mataripe efetuou dois reajustes no preço do gás de cozinha e outros cinco nos valores do diesel e da gasolina.

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Ao total, 100 botijões foram vendidos na Federação (Foto: Ana Lucia Albuquerque/CORREIO)

Em nota, a Acelen reiterou que os preços dos produtos produzidos pela refinaria seguem critérios de mercado e que, nos últimos 26 dias, com o agravamento da guerra na Ucrânia, o preço internacional do petróleo disparou, chegando a custar US$120. A empresa ainda reafirma sua aposta em uma política transparente e amparada por critérios exclusivamente técnicos. A Petrobras também foi procurada, mas não retornou à reportagem.

Para quem conseguiu adquirir o gás de cozinha por um valor abaixo do de mercado e subsidiado pelo sindicato, a sensação foi de tirar um peso dos ombros. O comerciante Wesley Santos, 46, vai aproveitar a economia no valor do botijão para comprar alimentos para a família, composta pela esposa e uma filha de 16 anos. “A verdade é que muitas pessoas aqui não conseguiriam comprar o gás se tivessem que pagar R$130. A ponta do iceberg é a nossa alimentação, então com o restante do dinheiro vamos investir em itens básicos”, afirma.

Outras pessoas que participaram da ação na Federação vão utilizar o valor que desembolsariam pelo gás de cozinha pelo preço de mercado para pagar contas atrasadas. É o caso da aposentada Dilma Pereira, 62, que diz ter contas de luz e água a serem pagas em casa. “Isso aqui é muito importante para toda a comunidade porque tem muitos colegas e parentes que estão passando por dificuldades e precisam dessa oportunidade”, diz.

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(Foto: Ana Lucia Albuquerque/CORREIO)

Jairo Batista afirma que outras ações serão realizadas em diferentes bairros de Salvador nos próximos meses e explica que o sindicato planeja o ato em conjunto com associações e lideranças do bairro, para que ocorra a identificação das pessoas mais necessitadas: “A partir daí se faz um cadastro, que contempla as 100 famílias eleitas. Iremos fazer em outras localidades de Salvador e também planejamos em outras cidades do estado”.

Dessa vez, a liderança à frente foi Renildo Barbosa, presidente da Associação da Sociedade Beneficente da Federação e Adjacências. “Com essa ação estamos garantindo principalmente mais alimentos para as pessoas. Porque elas estão economizando cerca de R$70 e podem utilizar para comprar itens de necessidade básica”, afirma o representante.

Protesto

Também na sexta-feira (25), o Sindipetro-BA e membros da sociedade se reuniram em um protesto em frente à Refinaria de Mataripe, antiga Landulpho Alves, em São Francisco do Conde, na Região Metropolitana de Salvador. O grupo protestou contra o aumento do preço do combustível e interditou os dois sentidos da BA-523 pela manhã.

O bloqueio causou reflexo no trânsito na região de Candeias e na estrada conhecida como Boca do Lobo. O movimento tem caráter nacional e foi organizado pela Federação Única dos Petroleiros (FUP). Outras mobilizações aconteceram em Pernambuco, São Paulo, Rio Grande do Sul e Minas Gerais, de acordo com o Sindipetro.

“Para além dos trabalhadores da Petrobras, compareceram movimentos sociais organizados, representações de bairros de Salvador e cidades vizinhas, justamente por entender que essa política de preços praticada tem massacrado a população”, diz Jairo Batista.

A Acelen informou, através de nota, que acompanhou a manifestação no trevo de acesso à refinaria e que manteve um diálogo aberto os sindicatos, para garantir que as operações não fossem interrompidas e impactassem o abastecimento do mercado regional.

*Com orientação da subchefe de reportagem Monique Lôbo.

Fonte: Correio 24hs

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