Composto da microbiota intestinal pode ajudar em tratamento da bronquiolite

Estudos de pesquisadores brasileiros apontam que um composto da microbiota intestinal tem potencial para reduzir os impactos do agente viral causador da bronquiolite, o vírus sincicial respiratório (VSR), em crianças de até 2 anos. Segundo a Fapesp, os resultados dos cientistas foram publicados na eBioMedicine e demonstram que o acetato – um ácido graxo de cadeia curta produzido por bactérias do intestino – teria potencial tanto como tratamento profilático quanto para minimizar as consequências da infecção pelo vírus. "Nós apontamos a ação antiviral dessa substância em células humanas e em animais. Além disso, correlacionamos suas concentrações com a redução de alguns sinais e sintomas causados pelo vírus em bebês", elenca o farmacêutico Marco Aurélio Ramirez Vinolo, um dos coordenadores do estudo e professor de Imunologia do Instituto de Biologia da Universidade Estadual de Campinas (IB-Unicamp). O VSR não tem um tratamento específico. O que se faz atualmente é o manejo dos sintomas e as consequências, enquanto aguardam o organismo da criança se restabelecer. Crianças prematuras, por exemplo, recomenda-se o anticorpo monoclonal Palivizumabe como forma de evitar a infecção. O tratamento, no entanto, tem um custo alto. "As nossas descobertas apoiam o conceito de que um produto da microbiota de baixo custo pode ter um papel no controle da infecção por VSR no trato respiratório", escrevem os autores no artigo. Diante do cenário pandêmico, aponta a publicação da Fapesp, houve um aumento de infecções respiratórias, inclusive a bronquiolite. O número maior faz com que bebês de até 2 anos fiquem mais sucetíveis. A resposta do tratamento com acetato foi mais promissora do que a vista em experimentos anteriores. Agora, foi observada também a ativação da produção de moléculas antivirais. Cerca de 30 crianças com menos de 12 meses internadas no Hospital São Lucas, da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS), por causa do VSR, participaram do estudo. Ao cruzar tais informações com a evolução da bronquiolite, descobriu-se que uma maior concentração de acetato estava associada a uma menor gravidade do quadro. Os bebês apresentavam maior saturação de oxigênio – um marcador de preservação da capacidade respiratória – e um menor número de dias com febre. No mais, o artigo reforça o papel da microbiota intestinal no organismo e no sistema imunológico. Segundo Vinolo, é um recado importante para que as pessoas valorizem hábitos saudáveis, como uma alimentação balanceada e rica em fibras solúveis. Entre as fontes dessa substância estão: cereais (aveia, linhaça, chia), leguminosas (lentilha, feijão) e frutas (maçã e banana). "Não sabemos ainda se a alimentação é capaz de modificar a microbiota intestinal a ponto de produzir acetato em concentrações que protegeriam as crianças. Contudo, em animais de laboratório isso foi possível", conclui.Fonte: Bahia Notícias

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