‘Eu só pensava em como contar para a minha mãe’, diz dono de barraca que pegou fogo

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Desespero e preocupação foram os sentimentos de Muriel Barreto dos Santos, 36 anos, ao receber a notícia de que sua única fonte de renda estava em chamas. Na noite da última quinta-feira, sua barraca de praia foi destruída após pegar fogo, em Buraquinho, na cidade de Lauro de Freitas, região Metropolitana de Salvador (RMS).

O que parecia ser uma noite comum se tornou um pesadelo. O proprietário da Barraca Cantinho das Ostras encerrou o expediente como de costume, conferindo se tudo estava trancado após a arrumação dos freezers, e retornou para o bairro onde mora, em Abrantes.

Poucas horas depois, por volta das 21h, ele recebeu uma ligação, alertando que a barraca estava pegando fogo. Ele levou 15 minutos para chegar ao local do incêndio, mas já era tarde. O Cantinho das Ostras estava destruído, e o Corpo de Bombeiros tentava controlar o fogo que se alastrava.

“Quando eu cheguei, já tinha pegado fogo em tudo. Pegou fogo muito rápido, porque [a barraca] era de madeira, mas eu não consigo entender. Eu só pensava em como contar para a minha mãe”, lembra Muriel, tentando segurar as lágrimas.

Os bombeiros chegaram por volta das 22h, no entanto, o trabalho de combate durou até as 2h de sexta. Durante a manhã, ainda havia pequenos focos de incêndio no local.

A barraca era uma herança de família. O pai de Muriel começou o negócio e, após seu falecimento, a administração passou para o filho, que conta com a ajuda da mãe e do irmão no trabalho. O local está na Praia de Buraquinho há 38 anos e tem dois espaços: uma barraca que é usada como cozinha e ao lado dela a que pegou fogo e abrigava toda a mercadoria, materiais e equipamentos.

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Estoque perdido de bebidas (Foto: Marina Silva/ CORREIO)

De acordo o proprietário, o prejuízo ainda está sendo calculado. Ele, a mãe e o irmão perderam cinco freezers, todo o estoque de bebidas, avaliado em R$ 20 mil, louças, caixas de isopor e máquinas de cartão.

“A gente ainda não sabe o que vai fazer, só sabe que não pode ficar parado, tanto que a gente tá limpando tudo. Vamos pegar emprestado, consignado, mas vamos dar um jeito de tentar voltar a trabalhar no final de semana, não sei esse, mas no próximo queremos estar trabalhando já.”

Muriel diz que a barraca havia voltado a funcionar há poucos dias. Ela permaneceu fechada por 15 dias devido a uma notificação do Ministério Público do Estado (MP) após uma denúncia anônima acusando a barraca de poluição sonora, causada pelas atrações musicais.

Segundo Muriel, apesar de antiga, a barraca foi reformada há pouco tempo e toda fiação elétrica havia sido trocada, por isso ele acredita não ter sido esta a causa do incêndio. “O que eu achei estranho é que a fiação é nova, não tem nem três meses que trocamos a fiação toda, então acredito que a parte elétrica não foi. Acredito que nem vai ter perícia, porque não houve vítima e já estamos tirando tudo daqui, porque precisamos trabalhar o mais rápido possível.” O local não tinha alvará.

“Desde a história da saída das barracas aqui, a gente está graças à intervenção da prefeita Moema, que segurou a gente por enquanto, não sei até quando. Aqui ninguém tem alvará, habite-se, não tem nada. A gente tenta conseguir, só que a prefeitura não libera devido a este impasse da Marinha”, explica Muriel.

A causa do incêndio será investigada pelo Departamento de Polícia Técnica da Bahia (DPT). A prefeitura de Lauro de Freitas não comentou sobre o incêndio ou sobre a situação das barracas.

*Com orientação da subchefe de reportagem Monique Lôbo

Fonte: Correio 24hs

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