Não existe educação sem professores

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A formação de professores é um processo que deve acompanhar as mudanças e demandas sociais. Uma das bases da economia de boa parte dos municípios do interior da Bahia, por exemplo, é mantida pelo capital gerado pela educação. Ser professor em municípios pequenos e com fragilidades socioeconômicas no centro do semiárido baiano é sinônimo de status e possibilidade de fazer mudanças significativas. São vidas transformando vidas.

Entretanto, a falta de perspectiva de futuro gerada pelas crises econômicas e políticas pelas quais passamos, o aumento da desigualdade social com a pandemia e a falta de investimento na educação, acabam criando um mito em torno da profissão que atenua um mito mais antigo: o de que ser professor não vale a pena.

Não por acaso, hoje, o Brasil está com déficit de professores, o que abre brechas para mais problemas na educação e sucateamento da docência. Para que a educação não pare, necessitamos de professores. Não há uma forma de ela existir sem que haja professores. Nenhum país anda sem eles e a pandemia escancarou essa realidade.

Considerando que há uma carência gritante de professores bem capacitados e analisando o que vem no futuro pós-pandêmico, podemos dizer que num futuro muito próximo vai faltar docentes e precisaremos reforçar a qualidade dos profissionais que optarem por essa carreira. E, volto a frisar, essa formação deve ocorrer acompanhando as transformações sociais. Afinal, nós somos precursores de estudos e aplicação de métodos ativos da educação básica ao ensino superior.

Em Paripiranga, onde atuo através do Centro Universitário Ages, isso obviamente só foi possível, porque a universidade vem investindo em formação baseada no que há de mais moderno e coerente em educação, sem deixar o que é indispensável nos estudos clássicos.

Interligar teoria e a prática faz com que o aluno seja incentivado a ser o protagonista de seu próprio desenvolvimento. Não há mais espaço para teoria desmembrada da prática. Assim como não mais admitimos a divisão corpo e mente, não podemos admitir a divisão teoria e prática. Uma é o sustento da outra e tornam-se uma mesma coisa.

O mundo muda velozmente. Por isso, a educação tem que se manifestar como movimento que forme entendendo e aceitando a realidade atual, mas que forme de verdade, prepare, nutra, acompanhe com prudência as mudanças. Afinal, como formar pessoas desfocadas de suas realidades?

Não podemos fazer da sala de aula uma bolha, como se existissem dois mundos, o real, onde as coisas estão se transformando segundo após segundo, e outro que só existe na sala. A educação e o professor devem acompanhar e preparar o sujeito para o mundo real, estimular pessoas a lidar e evoluir num mundo mais complexo e veloz e isso só é possível com o entendimento de que teoria e prática não devem se desprender jamais.

Érica Fernanda Reis de Matos, Mestra em Educação, Especialista em Ensino de Libras e em Educação Especial, coordenadora de cursos da Área de Ciências Humanas e professora da Ages

Fonte: Correio 24hs

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