Qualidade do ar em Salvador será informada em tempo real; entenda

Pesquisadora da Fiocruz Nelzair Vianna apresenta sensor que vai captar as informações

Se teve uma coisa que a pandemia nos ensinou é que um ar contaminado pode causar estragos. Nada que cientistas e pesquisadores não soubessem há séculos, mas uma novidade vai levar informações mais detalhadas sobre a qualidade do ar em Salvador até cidadãos sem especialidades ou estudos na área. O primeiro aparelho sensor foi instalado na Escola Municipal de Paripe, no Subúrbio Ferroviário, nesta quinta-feira (24).

Serão dez sensores em toda a cidade para medição de material particulado PM 2.5, dióxido de nitrogênio, dióxido de enxofre, ozônio, umidade e temperatura. Em outras palavras, o aparelho tem a capacidade de mensurar a quantidade de poeira e gazes poluentes no ambiente e, assim, ajudar pesquisadores, poder público e população a tomar decisões, como elaborar políticas públicas específicas, escolher o melhor horário para fazer atividades ao ar livre, para sair de casa ou evitar se expor.

A pesquisadora da Fiocruz Bahia responsável pela implantação dos aparelhos, Nelzair Vianna, contou que a poluição atmosférica pode causar doenças cardiovasculares, respiratórias, degenerativas e altera o metabolismo.

“Hoje, 90% das cidades no mundo estão respirando ar de má qualidade. Isso tem impactado na morte prematura de até 9 milhões de pessoas, ao ano, muito mais do que a pandemia matou. A Organização Mundial da Saúde já declarou a poluição do ar como uma pandemia, ela é uma ameaça para a saúde pública”, afirmou.

Um aplicativo vai reunir as informações captadas pelos sensores e disponibilizar para a população em tempo real. A pesquisadora informou que a ferramenta será liberada após a conclusão da instalação dos dez equipamentos, em até duas semanas. Os dispositivos funcionam com auxílio de tomada elétrica e rede wi-fi, e os dados coletados serão disponibilizados em dashboard, podendo ser acessados através de celular e computador.

A Fundação é responsável pela implantação dos aparelhos, enquanto a prefeitura fornecer os locais onde eles serão implantados. A secretária de Sustentabilidade e Resiliência (Secis), Edna França, contou que foram escolhidas escolas e Unidades Básicas de Saúde (UBS), todas no entorno da Baía de Todos os Santos, e que a preferência por essa região não foi por acaso.

“Pensamos o Subúrbio e as ilhas, primeiro, porque são regiões que têm muita vulnerabilidade social. Segundo, porque é uma região que sofre impacto pela proximidade com o Polo Industrial de Aratu. Salvador está se preparando para assinar a declaração de ar limpo e essa ação vai somar a outras, como arborização, mudança de matriz energética dos ônibus e incentivo ao uso da bicicleta”, afirmou.

Serão instalados quatro sensores na Ilha de Maré, um na Ilha dos Frades, quatro no Subúrbio Ferroviário e um será para controle. Nesta quinta-feira, enquanto as crianças aproveitavam o recreio para brincar de bola e pular corda no pátio da escola, técnicos trabalhavam na implantação do aparelho, que foi fixado na fachada do prédio.

A diretora da unidade, Alcione de Assunção, contou que o edifício foi construído com sistema para reaproveitar a água da chuva e que a implantação do novo equipamento vai incentivar a discussão sobre sustentabilidade na sala de aula.

“Essa iniciativa casa com o nosso planejamento pedagógico. Falar sobre questões ambientais, sobre qualidade do ar, é falar sobre qualidade de vida e de saúde. O tratamento dado às questões ambientais já faz parte do debate, e a partir dos dados coletados podemos pensar ações para minimizar doenças corriqueiras entre alunos, como gripes e falta de ar, para que eles possam perceber na prática e que trabalhamos na teoria”, contou. A escola tem 1.540 estudantes.

Além de servir como base para a produção de trabalhos escolares, os dados poderão ser usados em pesquisas sobre a redução dos gases de efeito estufa e o combate às mudanças climáticas, e pode auxiliar o poder público a tomar decisões, elaborar projetos e pensar políticas públicas que ajudem a melhorar a qualidade do ar na cidade.

A iniciativa faz parte de uma pesquisa da Fiocruz Bahia, realizada com apoio do Programa Inova Fiocruz, e em parceria com o Ministério da Saúde, Secretaria de Sustentabilidade e Resiliência de Salvador, Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP/ Fiocruz), Fiocruz Brasília, Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Bahia (IFBA), PUC Rio – Laboratório de Qualidade do Ar, SUPREMA – Faculdade de Ciências Médicas de Juiz de Fora e a Conforlab.

Fonte: Correio 24hs

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